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Orçamento Familiar

A partir de hoje, ocasionalmente iremos ter artigos de outras pessoas, convidadas por nós, para abordarem temas específicos. O primeiro artigo desta série é da autoria do Bento Oliveira, sobre as vantagens da definição de um orçamento familiar.

Orçamento familiar

Estamos em tempo de ajustes e de redefinições. A palavra mais escrita, lida e ouvida nos últimos tempos é a palavra CRISE. Esta palavra, escrita em mandarim, é composta por dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade.

O orçamento familiar é uma óptima oportunidade para começar a organizar a vida financeira no plano doméstico. Interessa a todas as famílias, sobretudo às numerosas e às que têm pouco recursos.

O orçamento familiar obriga as famílias a antever/prever os recebimentos e pagamentos que ocorrerão num determinado período (a previsão anual, detalhada por meses, é altamente recomendável para uma boa gestão das contas familiares). Esse exercício permite ganhar uma noção mais realista dos gastos do agregado familiar; prever momentos de “aperto” ou “folga” nas contas bancárias; programar e calendarizar investimentos avultados; reflectir acerca do peso de determinados gastos eventualmente dispensáveis.

Uma das maiores virtudes do orçamento é afastar as angústias que decorrem da incerteza em relação ao futuro. Se for possível, de forma realista, cobrir as despesas da família com os rendimentos esperados, então torna-se claro que, em condições normais, o ano será viável economicamente. Esta constatação pode contribuir decisivamente para a serenidade da família. Depois basta ir acompanhando mensalmente o cumprimento do orçamento e, em meses de derrapagem, tentar traçar medidas futuras que compensem esses desvios.

Como se faz um orçamento?

Um orçamento pode ser efectuado numa simples folha de cálculo tipo Excel. Tem dois indicadores fundamentais: os recebimentos e os pagamentos. A diferença entre os dois explicará a variação do saldo bancário da família.

O primeiro orçamento de uma família é sempre o mais difícil de elaborar, sobretudo se não existir um resumo do destino que foi dado ao dinheiro nos últimos meses/anos.

Os recebimentos são quase sempre os mais fáceis de prever (ordenados, subsídios, abonos, juros credores de investimentos ou aplicações…). Também os pagamentos mais avultados, dos quais a família guarda factura, são normalmente conhecidos (amortização de empréstimo(s), educação, electricidade, água, gás, TV Cabo, telefone…) e, por isso, facilmente inscritos na folha do orçamento. O caso começa a complicar-se quando se trata de prever gastos com supermercado, saúde, gasóleo, portagens, entretenimento, roupa, etc. Há que fazer um esforço de orçamentação o mais realista possível e, no primeiro ano, deixar uma boa margem de segurança para despesas não previstas (à medida que os anos forem passando, cada orçamento terá por base o controlo de tesouraria dos anos anteriores, diminuindo gradualmente a linha de despesas imprevistas).

O orçamento familiar deve ser discutido e aceite por todos. Quando o ano orçamentado começa a vigorar, é essencial começar a segunda fase deste processo: o controlo e análise de desvios face ao inicialmente previsto. Todos os movimentos bancários terão de ser classificados (limitar os levantamentos de dinheiro e pagar o mais possível através de cartão facilita o controlo dos movimentos de cada mês).

Aqui começa a descoberta do peso de cada tipo de despesa no orçamento familiar. Essa descoberta é muitas vezes surpreendente. Pode até ser o primeiro passo para uma revisão de vida. O orçamento familiar terá tanto mais sucesso quanto maior for o envolvimento de todos no seu cumprimento. Pode ser que no final até sobre algum dinheiro para aquele “extra” que nunca se tem coragem de adquirir. Sim, porque a vida não é só controlo e números, certo?

Link relacionado: Modelo de orçamento familiar.

Bento Oliveira: Professor de EMRC; busca novos projectos e desafios; trabalha em equipa; curioso das TIC/TAC; aprendiz do ensino; cristão.
http://arvoresearbustos.wordpress.com/
http://twitter.com/ilusaobento
http://www.facebook.com/bento.oliveira

Foto da autoria de Dave Dugdale

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  • Juca

    Sem dúvida nenhuma um conselho que todos deveriam ouvir… e depois é ver que com o tempo vamos tendo ideias de como poupar aqui e ali…

    Muito bom este artigo!