Uma reflexão sobre brinquedos

Caixa de brinquedos na sala

Caixa de brinquedos na sala

Hoje de manhã tive uma espécie de epifania relacionada com brinquedos, e a importância exagerada que lhes damos. Talvez por ser muito cedo e já estar acordada desde as 7h da manhã sem ter bebido o meu primeiro café, percebi algo que nenhum pedagogo ainda me tinha explicado.

Os três rebentos brincavam no tapete da sala e tinham à sua frente uma caixa com vários brinquedos para todas as idades. As escolhas feitas por eles foram tão inusitadas que se fez finalmente luz na minha cabeça:

  • A Leonor escolheu brincar com um telefone “a sério” da Nokia que já não trabalha e que pertence à mana Luisa, é o telefone dela de crescida. A Nônô usou o telefone simplesmente para morder, bater com ele no chão e voltar a morder;
  • O Dudu escolheu brincar com um molho de chaves “mordedoras” da chicco, que são da Leonor, mas fazer música com elas chocalhando-as;
  • Por fim a Luisa escolheu para brincar, de dezenas de brinquedos que tinha para a sua idade, um brinquedo de encaixar do Dudu, fazendo com as suas peças um “palhácio” (leia-se palácio) para a princesa Kitty.

Nota do dia: esqueçam as idades recomendadas pelos fabricantes de brinquedos quando forem comprar prendas para as crianças. Pensem na criança a quem vão oferecer horas de brincadeira e comprem uma coisa inusitada. Toda a gente sabe da predileção dos miúdos por molas e tampas de panela…

Depois do dia de hoje, na próxima festa de aniversário de criança, para a qual a família Verso for convidada, vou ter de me conter para não oferecer ao aniversariante um trem de cozinha para placas de indução, ou a enciclopédia britânica actualizada…

Gostou deste artigo?

Subscreva o nosso Feed RSS, siga-nos no Twitter ou simplesmente recomende-nos aos seus amigos e colegas!

Outros conteúdos de interesse:

  • http://twitter.com/farruska farruska

    há tempos, referindo-me ao nosso filho e sem querer ofender ninguém, comentei com alguém que os miúdos são como os gatos :D quais brinquedos, uma caixa de cartão faz tudo : é carro, é baú dos tesouros, é avião, é casa para os bonecos dos legos ….  isto porque com o quarto cheio de brinquedos o nosso filho estava a brincar com a caixa onde vieram as fraldas :D   outras vezes vai buscar as famosas molas da roupa, o regador …. ontem andava atras de mim enquanto eu tentava embrulhar uma prenda para um amiguinho dele, até perceber que o que ele queria era …. a fitinha de embrulhar e o rolo vazio do papel :D
    Nós nunca nos seguimos pelas idade mas como é natural não vou dar um portátil verdadeiro a um miúdo de 2 anos só porque ele consegue usar o iphone e sabe para que servem as teclas do nosso portátil. O nosso tem também um telemóvel velho que não funciona mas  isso não impede de sempre que nos apanha distraídos ir mexer no nosso.
    Penso que se deve encarar a idade que está na caixa do brinquedo apenas como uma referência mas, como a Sandra bem diz, pensar sempre primeiro na criança a quem se vai oferecer, até porque se por um lado um brinquedo sofisticado pode contribuir positivamente para promover o desenvolvimento, também pode precisamente fazer o oposto e tornar-se uma fonte de frustração para a criança e acabar na prateleira. E se for demasiado “à bebé” para o que a criança prefere, o desinteresse é rápido (e os brinquedos não estão propriamente baratos!)
    Na última avaliação pediátrica, a médica pediu ao nosso para fazer uma
    torre e deu-lhe umas peças de madeira de feitio todo igual. Ele não
    teve interesse absolutamente nenhum; quando eu tirei outras peças
    diferentes a médica disse que não podia ser, que era demasiado para ele
    mas as tais peças diferentes já estavam a ser postas em torre. E quando
    lhe pediu para pôr tudo no saco, o miúdo estava a demorar um bocado de
    tempo e ela já a dizer pronto, não tens interesse, quando na verdade
    ele dividiu as peças por cores e só depois as arrumou.
    Por isso, com as devidas ressalvas, não somos nós que escolhemos os brinquedos, eles é que sabem o que a sua imaginação manda nesse dia :-)

  • http://twitter.com/farruska farruska

    e falando em imaginação e brincadeira, não queria deixar de partilhar aqui, caso não conheçam:

    Os americanos têm uma coisa fantástica que, penso, ser proveniente da metodologia de home schooling: sensory boxes.  Combinam elementos do mundo das crianças com elementos do dia a dia e transformam num mundo de imaginação.

    aqui encontram um excelente exemplo:
    http://pinkandgreenmama.blogspot.com/search/label/Sensory%20Box

    numa das sessões do Spielgruppe tivémos uma apenas com farinha colorida e castanhas enterradas e foi uma diversão para os mais pequenos